Resenha: O Que Não Existe Mais


Título: O Que Não Existe Mais

Autor: Krishna Monteiro

Páginas: 110

Editora: Tordesilhas

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     Melancólico, essa é a palavra que vem à minha cabeça neste momento.



" "Que direito tens tu de mexer em meus
livros?". E então tu me olhaste de cima
a baixo, me deste as costas e prosseguiste
em teu lento e indiferente trabalho de violação."
Pag. 16



     "O Que Não Existe Mais" é um livro de contos. São ao todo sete contos que tem em comum a saudade, o vazio, a tristeza, a memória, a lembrança... Tudo o que nos faz ficar horas e horas divagando e pensando em algo que aconteceu e que não voltará a acontecer. Simplesmente tudo o que não acontecerá novamente, tudo o que não exite mais em nossas vidas.

     De maneira única e poética o autor nos traz histórias que variam muito de protagonistas. Desde a filha que perdeu o pai e não consegue deixá-lo ir, até um cachorro que se vê sozinho diante da morte da sua dona. 

     Outro personagem que chamou muito a minha atenção foi um galo de briga que narra suas memórias até chegar naquela rinha. Seus antigos donos e tudo que passaram juntos. As descrições da sua situação diante de outro galo sangrando é triste.


"Olha adiante: à sua imagem e semelhança, as
penas do outro também ostentam o mesmo
colar de sangue."
Pag. 37


     Também vamos conhecer um neto e seu avô que se gostavam muito, mas, pelo que entendi, se mantiveram afastados por desentendimentos familiares, e quando finalmente se reencontraram a guerra chegou e levou seu avô. 

     Graças a esses (possíveis) desentendimentos, as famílias moravam longe uma da outra. Isso fica claro quando o neto conta a demora da viagem de ônibus de sua casa até a casa dos avós. 

     Hoje, bem mais velho este neto conta tudo que se lembra e expõe toda a sua tristeza. 

     
"E hoje me conforta imaginar - pois recordar
não é lembrar o que, tantas vezes, nunca 
existiu? - imaginar que ele, antes de fazer
correndo as malas e partir para tratar-se
na capital, que ele ainda tentara esboçar
palavra sobre o destino do embrulho
guardado à chave em sua cômoda."
Pag. 88


     É um livro curto, mas não rápido, ou melhor, não tão rápido quanto eu imaginei que seria. Com uma linguagem poética, o autor nos embala com suas palavras e nos leva a refletir a cada página, e cada conto precisa ser digerido de forma única. Alguns de maneira mais leve, outros nem tanto, mas todos devem ser apreciados.


"Quatro mulheres conversam, e eu, refestelado
sobre a almofada, observo-as pouco a pouco
desaparecerem nos escaninhos de meu sono."
Pag. 54


     A capa é linda. Disse isso desde que o livro chegou e saí fotografando, rs. A diagramação está ótima, simples e perfeita. E a perfeição se repete também na revisão.


"Encontro o rolo de lã. Saio de baixo da cama,
caminho altivo com minha presa entre os
dentes, ansioso por mostrar meu feito."
Pag. 52


     Meus contos preferidos foram: "Quando dormires, cantarei" e "Um âmbito cerrado como um sonho". Gostei de todos, mas estes dois mexeram mais comigo.

     Leitura recomendada!!!!




















13 comentários:

  1. Eu sou apaixonada por contos, ainda mais quando envolvem tantos sentimentos. A dor, a revolta..e o lirismo que só os bons contadores conseguem transpor nas páginas.
    Não conhecia o livro, mas amei tudo que li acima e farei questão de ler!!!!
    Beijo

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  2. Olá, Lelê.
    Eu adoro contos, então já comecei a me interessar pelo livro desde o princípio da resenha. E melhor de tudo: tem uma linguagem um tanto poética, né? Adoro!
    E é bem curtinho, dá para ler bem rápido.
    Vou conferir, com certeza.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de março. Você escolhe o livro que quer ganhar!

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  3. Este livro parece ser emocionante. adoro contos. São curtinhos, mas não deixam de ter intensidade e emoção. E pelo que notei na sua resenha, ele é repleto disso. Adorei conhecer. E com certeza vou amar ler.
    Beijos.

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  4. Oi Lelê!
    Não conhecia o livro, mas depois da sua resenha vou dar uma pesquisada sobre ele. Adorei os aspectos que você ressaltou sobre ele porque os temas que você disse que ele aborda, são temas que normalmente me cativam (adoro uma história melancólica, rsrs).
    E um livro de contos em que todos agradam é raro, hein?
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  5. não é meu tipo preferido de leitura, mas creio que as vezes dar-se uma oportunidade diferente pode ser fonte de uma grata surpresa
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. Oie lelê... que livro xuxu...
    adorei a resenha... espero ler algum dia... tenho um carinho por contos :) beijos enormes
    www.cantodadomino.blogpost.com.br

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  7. Adoro livro de contos, gostei do tema abordado, apesar de ser bem triste, gosto dessa temática, do drama, da emoção. Fiquei bem curiosa pela leitura.

    Obrigada pelo carinho. Beijos :*
    Claris - Plasticodelic

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  8. adoro livros de contos, esse me parece ser bem interessante, alem de ser curtinho entao rapido para ler, ja coloquei na minha listinha,... amei seu blog flor, ja estou seguindo pois nao quero perder nenhum post ;)
    tonsdeleitura.blogspot.com

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  9. Ja coloquei na minha lista de desejados. Adorei os trechos que voce colocou na resenha, tristeza e poesia nao tem como nao amar, e a capa ta maravilhosa.



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  10. Olá Alessandra,

    Não conhecia esse livro, não leio muito contos, faz muito tempo que li um livro do gênero, gostei da resenha e fiquei curioso, mas não é uma leitura para o momento.....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  11. Não é meu tipo preferido de leitura, mas também não chego a dizer que não gosto. Eu geralmente demoro bastante para ler livros com linguagem poética, e preciso de MUITO silêncio para poder me concentrar.
    Recomendação anotada :)

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  12. Eu já havia visto o livro, porém só visto de passar o olho, esse foi o meu primeiro contato com a obra. Não me encantam livros de contos, infelizmente não acho que seria um livro para mim, apesar de gostar da temática que será abordada, não irei dizer que nunca vou ler, mas também não é uma prioridade de leitura para mim...
    Beijos

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  13. Ao olhar para a capa do livro de contos O que não existe mais (Tordesilhas, 2015), de Krishna Monteiro, é provável que se tenha uma ideia diversa do que de fato se encontrará em suas páginas. não que seja possível chegar a uma conclusão exata, mas parece que há aí a união de um título poético por mais que tenha uma capa relativamente simples.

    *____*

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