Resenha: A Lente de Marbury


Título: A Lente de Marbury

Autor: Andrew Smith

Páginas: 286

Editora: Gutenberg

Skoob



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"Deixei as passagens do trem ao lado do telefone. Tinha pressa. Minhas mãos tremiam como as de um viciado à procura de outra dose."
Pag. 90




     É incrível quando uma história mistura o real com o absurdo... E quando essa história te faz duvidar do que é mesmo a realidade, aí é muito bizarramente perfeito!!

     Não tem nada melhor que uma boa bizarrice literária!!


"É a mesma coisa, pensei - aqui e a casa do Freddie - tudo estava conectado. Talvez nada daquilo importasse. Talvez nada fosse real."
Pag. 98


     Narrado em primeira pessoa por John Wynn Whitmore, mais conhecido como Jack. E também narrado em terceira pessoa pelo próprio Jack, ou melhor, por uma voz interna dele mesmo, o inconsciente do protagonista, ou a voz dele no mundo paralelo.... Enfim, já comecei a amar aí.

     Jack está com dezesseis anos e passando pela fase de descobrimento que todo adolescente passa, mas com ele a coisa foi bem mais traumática, com momentos de puro pânico.

     Seu melhor amigo é Conner e os dois estarão juntos em todos os momentos bons e ruins, engraçados e tristes, de todas as maneiras e de todos os modos.

     Os pais de Jack não fazem parte da sua vida e seus avós só estão participando da vida no neto com seus nomes. Não senti a real presença de nenhum deles na vida de Jack, e isso me pareceu deixá-lo solto demais.


"Acho que no passado, em outros lugares, meninos como eu geralmente acabavam se contorcendo e esperneando no vão embaixo da forca."
Pag. 11


     Dias depois de Jack passar por um grande trauma, ele sai para fazer uma viagem. Conner irá encontrá-lo alguns dias depois. Tudo que Jack precisa fazer é relaxar e esperar a chegada do amigo.


"Seus olhos não diziam nada, era assustador. Sabia que eu tinha que cooperar para que nada pior acontecesse, mas tudo o que queria era avançar sobre ele e bater o mais forte que conseguisse."
Pag. 27


     Mas não é nada disso que acontece.

     Em meio a perseguições e fugas, Jack acaba conhecendo Marbury pelas lentes que o levam pra lá. Uma terra diferente da que ele vive, mas ao mesmo tempo muito parecida. Um lugar cruel, talvez tanto quanto aqui. Onde as pessoas pareciam serem livres, mas estão em guerra. Um lugar em que nada é o que parece, mas ao mesmo tempo é exatamente o que ele vê.

     O mais incrível é que Jack se sente seguro em Marbury, mas será que é real? Ou ele está inventando esse lugar para fugir dos seus problemas?

     Num certo momento é como se Jack precisasse tanto das lentes quanto um drogado precisa das drogas. A necessidade de estar em Marbury mais parece a busca pela viagem da loucura. Tudo se mistura, sons, sensações, sentimentos. Nada mais em Jack faz sentido.


"O último morreu com um tiro de Ben na nuca, a menos de dez metros da linha que tinham cruzado poucos minutos antes."
Pag. 150


     Fiquei o livro todo tentando descobrir, e na maior parte do tempo eu estive em Marbury tanto quanto Jack.

     Gostei da viagem e acreditei nela.

     O personagem passou por momentos bem difíceis e seu crescimento foi muito complicado. Se desprender de seus traumas talvez tenha sido sua pior missão.


"Foi quando percebi que comiam a carne de dentro da órbita ocular de uma cabeça humana."
Pag. 68


     Quem já conhece a voz do autor, com certeza não irá estranhar absolutamente nada. Quem for conhecê-lo por este livro, sem dúvida irá achá-lo um pouco sinistro demais, mas não desista. Andrew Smith tem uma maneira única e um tanto maluca de trazer as dores que muitos carregam e talvez tente esconder. Pode ser que você se identifique, pode ser que não, mas com certeza a experiência da leitura valerá muito a pena!


"Era como ser esfaqueado mil vezes, Tentei gritar e me mexer, mas estava mudo e paralisado. Ainda assim, em meio à dor que latejava em meus ouvidos, ouvi Freddie gritar, "Vou te matar agora, é isso que você quer? É só pedir! É só pedir, Jack!"."
Pag. 29


     Mais um livro do autor que eu amei muito!! Ele é todo perfeito! Da história à narrativa. Cada detalhe é maravilhoso, e a editora Gutenberg soube colocar isso para o leitor em sua capa, que por sinal é lindíssima.

     Não gosto muito dessa forma americanizada de traduzir. Prefiro os diálogos com nossa ortografia com travessões nos inícios dos diálogos. Essas aspas não me apetecem, mas é uma opção da editora e eu só pude aceitar e aproveitar. Preferia as aspas para o inconsciente de Jack e não para as conversas internas e externas. Mas enfim, um dia talvez eu me acostume com isso por aqui.

     Adrew Smith sabe escrever e entreter seu leitor e fazê-lo pensar em si mesmo e em tudo à sua volta. Eu adorei mesmo!!!


"Então me despi, rasgando as roupas, e prendi meu tornozelo no pé da cama."
Pag. 90
























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7 comentários

  1. Não conheço o trabalho do autor, mas já gostei muito do que li acima. Essa confusão(mesmo que eu me perca inteira), é algo que me agrada muito! Misturar realidade e ficção...mundo paralelo ou real? Ah..precisa mais nada!
    Sem contar a capa é um show a parte.
    Lerei com certeza!!
    Beijo

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  2. Como você bem disse, algumas bizarrices literárias funcionam muito bem. Aliás, essa tem uma premissa bem louca e interessante. Fiquei com vontade de desbravar.
    Sabendo ainda que nem tudo é fácil, que o protagonista tem um crescimento meio conturbado e fica "dependente" das lentes, vou querer conferir.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de janeiro. Serão dois vencedores!

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  3. Lelê,acho incrível também a mistura do real com o absurdo legal essa duplicidade na narrativa.Essa indagação de querermos saber se Marbury é real ou não é incrível .Amo também as capas da Gutenberg e essa realmente é lindíssima.Também não gosto muito do sistema de aspas.Que bom que você gostou.Mil beijinhos!!!

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  4. Tenho um pouco de dificuldades com esse tipo de livro. Mas, lendo sua resenha, fiquei bem interessada. Não conhecia o autor.

    Um abraço!

    www.meuslivrosesonhos.blogspot.com.br

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  5. oi flor, eu ja tinha ficado bem entusiasmada com o enredo quando você divulgou o livro, saber que ele tem essa profundidade e essa linha tênue entre o real, a fantasia e ao mesmo tempo a loucura desse novo e caótico universo atrai bastante
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. Desde que li Selva de Gafanhotos tenho vontade de conferir algum outro livro do autor e a premissa de Lente de Marbury parece ser bem interessante, mas nao sei se me animo a iniciar mais uma série.
    Tbm nao curto dialogos com aspas, no meio da narrativa.
    Abraço,
    Alê
    www.alemdacontracapa.blogspot.com

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  7. peraí!
    como assim o livro é narrado em primeira pessoa e em terceira pessoa por ele mesmo...
    essa história de livros usando aspas para diálogos é o povo traduzindo e esquecendo que em port existe o travessão (vai fazer isso em prova de concurso para ver o que acontece...) mas é muito chato mesmo

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