Resenha: O Planeta dos Macacos

   

Título: O Planeta dos Macacos

Autor: Pierre Boulle

Páginas: 209

Editora: Aleph  




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     Eu sempre fui fascinada por tudo que tenha o nome O Planeta dos Macacos. Desde o primeiro filme, sua sequencia, a série e os filmes mais novos. Todos de alguma maneira conseguiram me deixar vidrada. Porém, nunca tinha lido o livro que deu origem a isso tudo. E este contato foi maravilhoso, melhor do que eu esperava!!!


"O que caracteriza uma civilização? Será o gênio excepcional? Não; é a vida rotineira... Hum! Sejamos justos com o espírito. Concedamos que é acima de tudo a arte, e, em primeiro lugar a literatura. Acha-se esta realmente fora do alcance de nossos grandes macacos superiores, se admitirmos que eles sejam capazes de combinar palavras? De que é feita nossa literatura? De obras-primas? A resposta é, mais uma vez, não."
Pag. 141



     O livro começa no ano de 2500 com somente dois personagens, Phyllis e Jinn. Os dois estão viajando no espaço quando avistam objeto um do lado de fora da nave. Depois de algumas manobras para conseguir pegar o tal objeto, eles descobrem que é uma garrafa com um manuscrito dentro. A garrafa é bem parecida com esta aí da foto:








     Este manuscrito contém a história do jornalista Ulisse Mérou. E é quando o casal começa a ler este manuscrito que tudo tem início. 

     Amo esse negócio de um livro dentro de outro livro!!! 

     Ulisse Mérou, que como eu disse é um jornalista, o cientista Antelle e seu companheiro de trabalho, estão no espaço para uma viagem de exploração. Eles estão indo para um planeta que até então só era visto pelos satélites. Betelguese é o destino dos três.


"Aliás, Jinn, alertado, teve a mesma opinião, e era inconcebível ele cometer um engano daqueles: um corpo cintilante sob a luz flutuava no espaço, a uma distância que ainda não podiam precisar. Jinn pegou o binóculo e apontou-o para o misterioso objeto, enquanto Phyllis apoiava-se em seu ombro."
Pag. 15


     Assim que os três pousam em Betelguese eles são surpreendidos por uma terra bem parecida com a nossa Terra. O ar tem a mesma composição do nosso que respiramos por aqui, eles conseguem beber da água do rio que tem neste planeta. Tudo é muito parecido com a floresta que encontramos por aqui. 

     A única diferença que eles encontram está justamento nos habitantes desta floresta. 

     Uma moça bonita, nua e assustada fica na espreita observando o que os três intrusos fazem.


"Pelo que víramos antes da aterrissagem, sabíamos que existia uma civilização. Seres racionais - ainda não ousávamos dizer homens - haviam modelado a face do planeta."
Pag. 26


     Essa moça que Ulisse chama de Nova logo se mostra uma primata. Um animal irracional. Ou seja, os humanos deste planeta são animais desses que encontramos em zoológicos, alguns são adestrados para serem companheiros, e até servem como cobaias para os cientistas. Tá bom pra você?? Ou quer mais??

     Tem mais.

     Ulisse nomeia o planeta de Soror (traduzido do latim para o português, Soror significa irmã), justamente pela sua semelhança com a Terra. 

     Mas a semelhança ficará por aí. Neste planeta os seres racionais e desenvolvidos são os macacos. E quando eles estão conseguindo se infiltrar com os humanos, os macacos invadem a floresta para caçar.

     E é assim que Ulisse vai parar no laboratório junto com sua mais nova amiga e alguns outros humanos. Eles vão servir para análises e estudos do comportamento desses seres sem alma.


" - Naturalmente... Sim - concluiu -, da minha parte sou da seguinte opinião: o fato de sermos quadrúmanos é um dos fatores mais importantes de nossa evolução espiritual. Isso nos serviu em primeiro lugar para subirmos nas árvores, concebendo assim as três dimensões do espaço, ao passo que o homem, pregado no solo devido a uma má-formação física, adormecia no plano."
Pag. 91


      Mas Ulisse não vai se submeter a isso tão fácil. O que ele mais quer é explicar para esses cientistas que ele consegue raciocinar, que vem da Terra e que de onde ele vem os humanos são os seres pensantes. 

     Ele consegue provar que é racional com a ajuda da chipanzé Zira, mas isso não será tão fácil quanto parece. Claro que os macacos não o aceitarão assim com essa facilidade toda. E claro que o que eles mais querem é abrir esta cabeça e estudar o cérebro de Ulisse.

     E não é isso que faríamos aqui na Terra??


"Sempre que ela pronunciava "macaco", eu traduzia "ser superior", "topo da evolução". Quando ela falava dos homens, eu sabia que se tratava de criaturas bestiais, dotadas de uma certa faculdade de imitação, apresentando algumas analogias anatômicas com os macacos, mas com um psiquismo embrionário e desprovido de consciência."
Pag. 88


     O livro remete à várias reflexões. Algumas vezes até dá pra imaginar que na verdade os macacos que descendem dos humanos e não o contrário como acreditamos agora. 

     Dá pra pensar em muitas coisas; em como tratamos os animais, como eles são usados em laboratório, como tratamos a Terra hoje... A cada página um novo pensamento surge... E todos são chocantes.

     E mesmo com essa trama forte, a narrativa é leve e muito envolvente. Os personagens são incríveis, desde o humanos mais irracional ao macaco mais inteligente. E sim, temos ainda um romance nada convencional que fez com que eu soltasse um suspiro aqui e outro ali, além de um super vilão, um gorila malvado e ambicioso que me fez sentir uma raiva desenfreada.


"Com unhas e dentes, apenas as tiras de pele. Não havia nenhum vestígio de fogueira nos arredores. Aquele festim dava-nos engulhos, e, como se não bastasse, ao avançarmos alguns passos, compreendemos que não éramos de forma alguma convidados a partilhá-lo; ao contrário, rosnados nos afastaram rapidamente."
Pag. 41


"Ela se desculpou, explicando-me que, embora alguns homens domesticados pudessem ser levaod para passear na rua sem causar escândalo, era normal eu andar preso."
Pag. 93


"Rocei seus lábios. Ela respondeu a esse gesto esfregando seu nariz no meu, depois passando a língua no meu rosto."
Pag.43


     A narrativa é tão poética, tão linda, suave, deliciosa... Apaixonante!!! Eu simplesmente amei muito!!

     E o que me deixou mais embasbacada foi o extra.

     Como sempre a editora traz alguns extras que devem ser lidos. Bem, mas o que me causou um estranhamento foi o autor dizer que este não é um livro tão bom como ele gostaria que fosse, que até queria desenvolver mais algumas coisas... E mais um tanto de palavras. Gente!!! Pra mim o livro é perfeito, não consigo imaginar o que faltou. Pode ser que para ele faltasse algo a ser desenvolvido, mas para mim foi bem agradável do início ao fim.

     E por falar em extras; tem uma entrevista dada pelo autor. Um texto chamado O Espião Francês Que Escreveu O Planeta dos Macacos que é extremamente interessante e recomendo que leiam. E um posfácio incrível também!! Edição completa!!!

     E mais: uma diagramação de fazer cair o queixo. 

     O livro é lindo, a capa é maravilhosa, a diagramação tem tudo a ver com a trama. Tudo combina e tudo faz encher os olhos de quem é fã da história e de quem irá ter o primeiro contato.


"A macaca que bebia num copo com um canudinho parecia uma dona de casa. "
Pag. 57


      É claro que recomendo!!! E muito!!!!













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7 comentários:

  1. Acabei vendo todos os filmes da série. Mas os da primeira versão para mim, sempre foram os melhores!!!!
    Essas refilmagens novas foram boas, mas nada comparadas as primeiras. Onde tudo era muito cru e natural.
    Já havia visto o livro por aí, pelo mundo literário e também gosto muito disso, uma história dentro de outra história, mesmo me confundindo demais..rs
    Não vou afirmar que seja meu foco de leitura,mas com certeza, lerei!!!
    Há poesia nos quotes citados e isso é maravilhoso!!!
    Beijo

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  2. Eu nunca pensei em ler o livro, até porque acredito que o filme já é bastante intenso e o livro deve ser muito mais. Vendo sua resenha me deu a impressão de algo bem culto e uma trama bem envolvente. Vi todos os filmes e adoro cada um deles pela magnífica forma entre o humano e o animal.

    Beijos,

    Greice Negrini

    Blogando Livros
    www.amigasemulheres.com

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  3. Olá, Lelê.
    Como você bem disse, a narração foi muito poética. Requer mais tempo para ler, mas dá um toque muito mais gostoso a obra. Esse foi o primeiro detalhe que me ganhou para a obra.
    Concordo com você quanto ao livro não precisar de mais coisas. Está muito bom dessa forma.
    Se fosse querer algo mais, pediria uma continuação, o que já não é mais possível. Porque aquele final...

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  4. oi flor, a história parece ser bem interessante e apesar de não ter elementos que me atraiam se mostrou muuuuito bacana e despertou curiosidade
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Le!
    Como você sou fascinada por tudo que se relaciona ao Planeta dos macacos, desde o primeiro filme.
    E fiquei encantada com todo enredo do livro e com a maior vontade de ler.
    Os papéis se invertem e realmente pensamos em toda a 'maldade' que fazemos com os bichinhos, dá uma bela reflexão.
    “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.” (Carlos Drummond de Andrade)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participe no nosso Top Comentarista!

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  6. Eu só passei a conhecer o filme depois que eu assisti O Planeta dos Macacos: O Confronto Final, que foi a adaptação mais recente. A partir de então, fiquei muito interessado em ler o livro, pois eu acho a história super legal. Porém, ainda não tive a oportunidade de lê-lo. É lindo ver a amizade dos personagens <3

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  7. Olá Alessandra,

    Essa é a primeira resenha que leio desse livro, confesso que não espera tanto assim, tinha certeza que seria um bom livro, mas agora vejo que é muito mais do que isso, dica anotada....bjs.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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